É preciso se permitir ficar triste de vez em quando
se for preciso até se aprofundar na loucura da tristeza
mas saber que a felicidade é um tipo de amor leve
que sempre retornará para a superfície do que não é supérfluo
o conforto é um grande aliado de vez em quando
mas quase sempre é uma forma de nos acorrentar em nós mesmos
é preciso ter paixão pela vida, paixão pelo amor,
e saber valorizar o cinza da tristeza
uma fotografia sem cinza há pouca harmonia com a vida
nem se compara a intensa dissonância de um verso torto
um pouco de controle não faz mal
mas o excesso cansa pelo erro
de acreditar que nada disso também vai passar
a dor da morte de alguém querido também
se transformará em doce âncora pluma
o vento dissolvendo as rochas em branca areia
o amargo conhaque dissolvendo más lembranças
é preciso não temer o mal como fosse um inimigo
dar vazão ao instinto do fe e do menino
para não andar em círculos na pressa
de resolver tudo como um filho tão mimado
perdendo o equilíbrio inconstante da natureza
lotería de insensatos caminhos múltiplos
é preciso abstrair absolutismos
um pouco de motivo um pouco de arte inútil
distanciar o sonho do produto
fazer valer o contínuo aprendizado
navegar um pouco impreciso é preciso
para deixar a terra mudar o lugar
e não mais se acomodar no conforto que só engorda
não mais ter medo de arriscar doer a alma
deixar o vazio do que é óbvio e vil
e não mais buscar apenas a estabilidade do que é seguro
pois amanhã pode ser também o seu dia
de viver para sempre, ou morrer apenas...