quinta-feira, 2 de abril de 2009

Castidade Profana

Sob a consciência de nossos corpos nus,
Éramos somente animais,
Não fazíamos idéia da intimidade a que chegávamos,
Mas já era tarde, já não havia espaço,
Entre a razão, o pudor e o instinto,
E a essência de nossa natureza falou mais alto...

Então compartilhamos nossos ouvidos, sentidos, olfatos, segredos,
O gosto de um espinho encravado em carne viva e suada,
Inflamando a dor suave daquele carinho,
Infinito desejo de ser um só corpo,
Não pertencíamos a ninguém e a lugar nenhum,
Nem mesmo a mais distante das galáxias imaginadas,
Éramos tudo e ao mesmo tempo nada,
No mesmo instante em que o tempo se apagava...

segunda-feira, 2 de março de 2009

Eu, ela e ninguém mais

Ninguém pode ver a paz em nosso silêncio
Nem o tempo que nos conhecemos
Ninguém pode ver o carinho em meus pensamentos
Nem a forma simples e grandiosa de seu ego

Ninguém sabe das histórias que passamos
Nem das madrugadas frias que dormimos
Ninguém saberia me dizer ao certo
Nem das poesias tristes que te deram

Ninguém viu os lugares encantados que sonhamos
Nem dos sofrimentos longos que sentimos
Ninguém viu as lágrimas que não caíram
Nem das mesmas que secando escorreram

Ninguém teve tanto medo de seus olhos
Nem do meu abraço quente e perdido
Ninguém terá conseguido tantas chances
Nem das oportunidades frágeis que omitimos

Ninguém ouve essas músicas que cantamos
Nem dos cantos pelos quais nos escondemos
Porque ninguém conhece os nossos medos
Nem dos quais nem mesmo nós percebemos

E ninguém mais conheceu nossos amores
Nem dos segredos que nunca confessamos
Nem das mágicas simples e possíveis que fizemos...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Faz de conta que há sentido...

Faz de conta que a vida tem um sentido
E caminhamos numa estrada que nos leva a praia,
Há ruídos que ecoam distantes como uma música
E nos hipnotiza ao encontro do mar,
Sentamos na areia e observamos as gaivotas,
Bailarinas selvagens e elegantes,
É como se fosse um filme ou um bom livro,
Daqueles que nos penetra a alma,
Daqueles que nos arranca sorrisos
E lágrimas sabor manga...


Faz de conta que temos realmente um coração,
E que amamos como da primeira vez
Antes de tantos desencantos
Como aquelas crianças que brincam
Na inocência da água e da areia
Na arquitetura da antiarte insana


Faz de conta que não existe o tempo,
Que podemos ficar até mais tarde
Nos contradizendo sem receios
Trocando fantasias, sonhos ou desejos,
Sagrados e profanos
Discutindo sobre o sabor do morango com leite condensado,


Esperando mais uma vez o sol nascer...
Faz de conta que tudo isso é verdade
Faz de conta que a vida sem esse sonho faz sentido.